Programa de Festas

Agosto 14, 2008

No coração de Lisboa, e da ausência, o Tango!

Filed under: tango — profestas @ 12:22 am
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Todas as Terças-feiras às 22:00 – Nova Noite de Tango em Lisboa: Milonga do Bairro

Dança comigo uma dança latina.
Qualquer uma.
vermelha
quente
sensual.
Apenas nós numa pista de dança
madeiras velhas
candeeiros quebrados
ambiente vermelho
orquestra decrépita.
Deixa-me agarrar-te
guiar-te os passos
rodopiar contigo
dobrar-me sobre ti
suspender o tempo
quase beijar-te.
Recomeçar
e repetir
até que os nossos corpos
suados de desejo e de cansaço
rubros do esforço
nos obriguem a parar.

Autor – o autor da fotografia, poema publicado em Março de 2006. Lindo.

Apostando num novo conceito de espaço musical – o Tango Lounge – veremos nestas noites o tango tradicional fundir-se com as tendências actuais do tango -o tango novo, procurando ainda raízes profundas, afinidades culturais e outras sinergias…

A Milonga do Bairro nasce num ambiente cosmopolita, num espaço moderno onde poderá sentir a paixão do tango de forma única, em boa companhia e bem no coração da animação do Bairro Alto.

A entrada é gratuita.  Club Carib – Rua da Atalaia nº78, Bairro Alto

Escola de dança Pasiontango – Lisboa – As aulas de tango em Lisboa realizam-se nos seguintes locais:

Segunda-feira (férias de Verâo) – Edifício Ateneu Comercial de Lisboa, Rua Portas Santo Antão 110, Restauradores. (junto ao Coliseu e Hard Rock Café) – Curso de tango para intermédios
com Adam Vucetic e Joana Vicente.

Terça-feira (Férias de Verão) – Edifício Ateneu Comercial de Lisboa – Rua Portas Santo Antão 110, Restauradores – (junto ao Coliseu e Hard Rock Café) – Curso de tango para iniciados com Adam Vucetic.

Quarta-feira (Férias de Verão) – Bacalhoeiro Colectivo Cultural, Rua dos Bacalhoeiros, 125 – 1º e 2º. Lisboa – Curso de tango para iniciados com Adam Vucetic.

Sexta-feira (Férias de Verão) -Sou Oficina Movimento – Rua Maria Andrade, nº 9A/Loja – Lisboa – Curso de tango para iniciados com Adam Vucetic.

As inscrições para a nova temporada (começa em Setembro) estão abertas. Para mais informações e inscrições contacte-nos por telefone (960 058 710)

E finalmente, um outro poema, de Jorge Castro, que também ilustra bem esta fotografia.

Esta noite poderia escrever-te os versos mais tristes
como Pablo Neruda
ou dizer-te da minha recorrente vontade de ir a Samarcanda
como Bernardo Soares
diversa apenas a vontade de ir a Samarcanda
porque a tua presença me seria imprescindível
eu que nem mesmo sei que língua falam hoje em Samarcanda
ou o que por lá estará hoje acontecendo

Porque a tua ausência te cala em mim
poderia mesmo escrever-te uma carta de amar
que gritasse dentro de mim a tua ausência
e que no voo tangente das palavras
todos achariam ridícula
só eu não

– e daí quem sabe? –

Poderia imaginar-te silhueta
por entre silhuetas de pinheiros
feita de bilros e devaneios da Lua Cheia
derramando-se de luz ao longo de todo o mar
até tropeçar com o areal
e a terra toda
até envolver todos os amantes
que à beira-mar se consumam
como se o tempo se lhes acabasse ali como a terra
ou apenas se desesperam no amor
como se amassem apenas porque se procuram
quando o areal barra a luz fluida vertida pela Lua

poderia dançar contigo um tango argentino
conduzir-te na volúpia dessa dança
que
conforme dizem
ao homem compete conduzir
apenas para
e por uma vez só
te conduzir
eu de negro
Gardel
Terrível e alucinado
e tu
o teu vestido vermelho
rasgado com uma faca de seda
ambos efémeros, diáfanos e amantes
… se eu soubesse dançar

Ah, se eu soubesse dançar!

Poderia até tentar dizer-te um poema
que me impressionasse
apenas por te impressionar
um poema que falasse de Neruda
de Bernardo Soares
e de silhuetas diluídas nos pinheiros
mas que tivesse um lugar íntimo
para as estrelas de outros céus imaginados
luas
amores
e areais de vento
um lugar que nos enleasse no ritmo das marés
e seríamos românticos e dramáticos personagens de Pratt
solitários navegantes numa paixão de quimeras
Maltese com um brinco a preto e branco
vendo o Sol poente enfunando as nossas velas
com cores de luz que o Sol traz do mundo todo

E é por isso
que aqui estou
perto de ti
tenho as mãos quase cheias de nada para te dar
mas tenho um mar que não é meu
e um poema
sinto a Lua que nos foge entre os pinheiros
sinto ânsias de enleio em doce tango argentino
e hei-de sentir-te junto a mim em Samarcanda

 

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