Programa de Festas

Junho 18, 2010

Um livro de Pedro Miguel Rocha – Juntos Temos Poder – um novo sentido para a vida – a solidariedade


Quando comecei a ler este livro, pensei…é mais um, de entre os muitos textos que se têm publicado sobre a ajuda humantária em África.
Depois, devorei-o. Quando acabei, senti que queria ler mais e mais. Este livro permanecerá na minha memória.

E estou ansiosa pelo próximo. Do Pedro Miguel Rocha.

Leiam. Faz bem a nós próprios, ilumina-nos, mostra-nos a alma.

Tem um prefácio do Dr. António Nobre, da AMI.
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É breve, lê-se num instante, como a eternidade.

Foi com muito gosto que aceitei fazer o prefácio deste livro. Não por ele ser a favor da AMI, mas sim porque nele revivi, com interesse e até emoção, tantas histórias parecidas com as que vivenciei ao longo dos últimos 30 anos de activista humanitário sem fronteiras.

O enredo escrito pelo amigo Pedro Miguel Rocha corresponde na perfeição às situações que as populações, vítimas das guerras fratricidas e outras catástrofes, enfrentam nos campos de refugiados: sofrimentos, separação dos entes queridos, medos, doenças, penúrias, angústias, fome e morte.

Também os diálogos entre os voluntários humanitários, que desejo se tornem cada vez mais numerosos, as suas dúvidas existenciais, as suas motivações genuínas ou de fuga, as suas limitações e impotências perante a imensidão das tragédias e necessidades são autênticos e traduzem fielmente o que tantas vezes ouvi e disse no interior duma tenda, duma palhota ou à volta de uma fogueira sob um céu magnificamente estrelado.

Só quem nunca se encontrou nessas situações, no limite do tolerável físico e psíquico, a milhares de quilómetros do seu lar, é que não compreenderá quanto por vezes os humanitários oscilam entre a profunda satisfação de se sentirem úteis, e até mesmo insubstituíveis, e a indizível frustração por não disporem quase nunca nem dos meios suficientes nem do poder para pôr cobro aos desvarios humanos enfrentados diariamente.

Este livro está profundamente alicerçado nos Valores Universais da Solidariedade e da Fraternidade Universais. Com frontalidade, interpela-nos sobre a indiferença, o egoísmo e a cobiça, assassinos que tantas tragédias humanas e ambientais permitem ou incentivam. Os verdadeiros responsáveis nem sempre são quem carrega no gatilho das metralhadoras, mas sim aqueles muitas vezes escondidos por detrás de luxuosas secretárias nas suas torres de marfim, feitas do cinismo e das geoestratégias cegas e globais em Nova Iorque, Moscovo, Pequim, Bruxelas, Paris, Londres ou Berlim…

Este livro reavivou algumas das cicatrizes que há décadas se foram incrustando no meu corpo mas, simultaneamente, fez-me sonhar, com imensa saudade, momentos marcantes e personagens, idealistas ou sofredores, que nunca mais esquecerei porque hoje são parte integrante da minha caminhada.

Ficarei por isso sempre grato ao Pedro: escreveu um livro que eu gostaria ter escrito. Nunca o fiz por falta de qualidades e por pudor.

Leiam-no por favor. Estou certo que ficarão mais ricos pois ajudar-vos-á a compreender porque tantos seres humanos lutam pela sua dignidade perdida, porque tantos outros sonham em partir para a nossa ainda árvore de Natal, e porque outros seres humanos, seus irmãos, por vezes tudo sacrificam para irem levar uma gotinha de conforto e de fraternidade àqueles a quem, desde que nasceram, nunca foi dada a possibilidade de terem nem rosto nem voz.

Com um abraço muito amigo, esperança e revolta contida.

Fernando de La Vieter Nobre

Médico Cirurgião

Presidente Fundação AMI

Novembro 23, 2008

MIA COUTO – E se Obama fosse africano?

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E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra:
sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes
africanos. Quase todos chamavam Obama de “nosso irmão”. E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: “E se Obama fosse camaronês?”. As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me
perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano?~

São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí
fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões:
seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a
descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos.
Convenientemente “descobriram” que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado ‘ilegalmente”.
Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um “não autêntico africano”. O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos “outros”, dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso “irmão” teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada “pureza africana”. Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder – a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado – a vontade do povo
expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos – as pessoas simples e os trabalhadores anónimos – festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para
esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

Jornal “SAVANA” – 14 de Novembro de 2008

Fonte: Clube de Jornalistas

Fevereiro 15, 2008

Ciclo Outras Lisboas – Teatro São Luiz

                                                        Um ciclo sobre Lisboa de muitas gentes, de muitos países, de muitas histórias, terra de África, da Europa de Leste, do Brasil.

Lisboa que é uma, e outras,  Lisboa cidade, terra de todos os seus habitantes.

O Ciclo Outras Lisboas, realiza-se por ocasião do Ano Europeu do Diálogo Intercultural. O Teatro São Luiz abre assim as suas portas aos lisboetas provenientes de África, Europa de Leste e Brasil, criando um ciclo de três espectáculos que reflectem sobre a realidade destes imigrantes em Lisboa. Paralelamente a estes espectáculos, realizam-se também uma série de eventos complementares.Fevereiro é o mês dedicado a África, Março é dedicado à Europa de Leste e Abril ao Brasil.

                                                                                Hoje temos…   ÁFRICA       

 Lisboa Invisível – Teatro Meridional
14 a 23 Fev- 3.ª a sábado às 21h00- domingo às 17h30

Noites Africanas – B.leza no São Luiz – 15, 16, 21 a 23 Fev –  15 –  Jon Luz; a  16 – Dany Silva; a 21 – Tito Paris; a 22 – Vozes Femininas de Cabo Verde com Ana Firmino, Celina Pereira e Maria Alice; a 23 – Calú Moreira, Aires Silva, Rita Lobo

Encontro/Debate sobre África – 20 Fev

Mayra Andrade – 24 Fev

Informações: Aqui, no Teatro São Luiz

    

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