Programa de Festas

Dezembro 24, 2007

Noite Santa

Filed under: textos — profestas @ 1:19 am
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O natal é aquela coisa sabe-se lá o quê. Não há que saber o que é, dura um dia e tal, fora o antes e o depois .
O menino Jesus e os tais reis magos no estábulo abdicaram a favor do pai natal com barbas, um tal Santa Claus, e das suas renas, o presépio mágico abdicou a favor do pinheiro de plástico, a chaminé abdicou do seu lugar na cozinha saborosa e tépida, e é agora um sítio anónimo algures numa sala, no chão, quando há. Há quem tenha lareira, evidentemente.
O natal é uma sensação. Não se sabe bem o que é, mas é natal. Até se dá prendas.
Dizem-se tantas palavras lindas, no natal. Deseja-se tanto bem, tanta saúde, tanta prosperidade, tanto amor, no natal. Tão amigos que nós somos, no natal.
Até se quer levar para a consoada aquele sem abrigo que costuma dormir ao relento, perto de nós, mas é o levas. O tanas.
No natal somos todos bonzinhos, é uma espécie de 25 de Abril da alma.
Tenham um bom natal.
Quer dizer, Natal.

Noite

Noite
Braço forte do destino
Fino lençol
Das lágrimas
Esculpidas
Do meu rosto
Da frisa dos meus lábios
Abençoas
A beleza da tristeza
Que se espelha
E nem o nascer do sol
Ou a passagem de um cometa
Que nos rouba o olhar
Num infinitésimo espaço de tempo
Acalma esta fome eterna

Pedro Esteves

Dezembro 16, 2007

Carta aberta ao cancro

Filed under: poesia,textos — profestas @ 3:01 am
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     Andas aí à cata!
     Filho da puta! Da puta? Não…de puta.
     Havendo tantos como tu no mundo, só de ti poderia medrar e vingar
     essa sede de engordar essas hostes dos outros.
     Os outros são gente sã, pá!
     Gente que anda durante quarenta anos num vaivém de cacilheiro,
     combóio, autocarro ou outra qualquer carreira da vida que só dá por ti
     quando apareces.
     És tão inconveniente que apareces sem ser convidado.
     Inesperadamente. Não te convidei. Vieste! Logo hoje. No natal porra!!!
     Todos os dias que mal se festejam, são a alegria e soma final na consoada.
     Dia de estar com os meus, entendes?
     Afinal é natal.
     Mas tu, pé ante pé, covarde, sem aviso e zás!!! No presépio.
     É presépio ateu, já sabes. Mas é meu. Teu também.
     Quanto mais dos meus me vais tirando, mais eu, vê lá tu, vou
enriquecendo
     a memória.
     Um dia irás perguntar por mim a um qualquer dos meus trinetos que
também
     quererás levar.
     Dirá assim, está no presépio, sr.cancer. É pena eu ser tão novo para não
     poder
     mandá-lo para a puta que o pariu.

Mingo Rangel

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