Programa de Festas

Outubro 19, 2008

Guernica @ Santiago Alquimista

Até 4 de Dezembro ainda poderá ver no Santiago Alquimista a peça GUERNICA, de FERNANDO ARRABAL, com encenação de ADOLFO GUTKIN.

No passado 26 de Abril de 2008 cumpriram-se 71 anos do cruel bombardeamento da cidade basca de Guernica.

Foi o primeiro bombardeamento perpetrado pela aviação militar nazi no século XX, sobre uma cidade aberta.

Com a impunidade que da a velocidade e a distancia , os aviadores intervencionistas alemães estrearam os seus «Stuka» e « Heinkel» destruindo a pequena cidade de Guernica, habitada por civis. Foi tanta a crueldade do ataque, que já no final da operação « Condor », os pilotos – a causa do fumo – não tinham visibilidade mas mesmo assim deixaram cair o resto da sua carga ( « explosiva e incendiaria » ) sem ver onde caiam as bombas, apenas pelo sádico prazer de disparar.

Com a sua política de não intervenção, os aliados europeus deram «luz verde » à política de Hitler, reconhecendo o domínio de Franco sobre Espanha, sem imaginar que anos mais tarde esses mesmos aviões Alemães destruiriam Londres e outras cidades europeias.
A cidade de Guernica, sem defesas antiaéreas apropriadas para se defender, ficou destruída, mas permaneceu do pé a célebre árvore que simboliza a tradição heróica e a identidade e a esperança do Pais Basco ( e não só ). Esse brutal acontecimento foi imortalizado por Picasso num quadro que muitos críticos consideram a obra pictórica mais importante do Século XX.

Por esse mesmo prestigio artístico da obra, nesse branqueamento da memória que diferentes interesses manipulam para lavar o seu passado criminal, hoje, muitas pessoas, sobre tudo jovens, pensam que «Guernica» é apenas «aquele quadro famoso pintado por Pablo Picasso ».

O ataque brutal sobre «Guernica» foi um ensaio do que seriam os futuros e sucessivos bombardeamentos sobre cidades abertas na segunda guerra mundial: Londres, Varsóvia, Leningrado, e outras cidades europeias aliadas, e já quase no final : Berlim e Dressden, como assim também as tristemente célebres Hiroshima e Nagasaki , conheceram em carne própria o horror do bombardeamentos e o inicio da era nuclear. Por isso é que muitas vezes ouvimos dizer « de Guernica a Nagassaki».

Não poderia dizer-se que com o triunfo dos aliados e a rendição incondicional de Alemania e Japão terminaram as guerras. A conhecida por « terceira guerra mundial » ( ou guerras de baixa intensidade ) continuaram até os nossos dias. Brutais acontecimentos que marcaram com a sua violência quase todo o planeta durante o século XX e já vão deixando a sua mancha de sangue na primeira década do Século XXI. Essas « demolições militares » de cidades abertas se transformaram em lugar comum dos noticiários.

As imagens de refugiados desprotegidos andando pelos campos com a sua carga de restos palpitantes sobre as costas, com os seus braços em chagas e os seus peitos famélicos, muitas vezes metralhados nas suas deslocações, são imagens terriveis às que se uniram agora as dos criminais atentados terroristas. Estas imagens, a força da sua repetição, se fizeram lugar comum nos meios de difusão até o ponto de anestesiar a nossa capacidade de repulsa. Muitos políticos e estadistas, utilizaram a frase « a morte de um homem é uma tragédia, a morte de um milhão de homens é apenas uma estatística ).

Fizemos «Guernica» , de Arrabal para contar a história dos humildes e esquecidos, a historia de dois velhos atrapados na armadilha de uma guerra que os ultrapassa e resgatar a memória das suas vidas do anonimato das estatísticas e da anestesia da repetição dos noticiários. Quisemos contar esta historia para lembrar-nos que, como dizia George Bûchner em Leoncio e Lena: « ate o mais pequeno dos homens é tão grande que a vida resulta demasiado curta para pode-lo amar.» Para lembrar-nos que cada um desses pequenos números nas estatísticas é um coração palpitante que amanhã pôde ser o nosso ou o dos nossos filhos.

ELENCO:

ACTORES:

Fanchu: José Gil
Lyra: Paula Freitas
Escritor e Militar: Luis Gamito
Jornalista: Alexandra Marques
Homem da Resistência: Pedro Freitas

………………………….
Tradução: José Gil
Música e Banda Sonora: Carlos Gutkin Prast
Produção: João Figuereido Dias
Assistente de Encenação: Maria J. Albuquerque
………………………….
Realização técnica :
Claudio Morais, Marcio

……………………………………
Cenografia, Adaptação,
Dramaturgia e Encenação: Adolfo Gutkin

Informação retirada deste site.

A grande curiosidade desta peça é o facto de ser interpretada por profissionais de áreas muito diferentes do teatro.

O ex-director-geral da REFER, uma jornalista do Jornal de Notícias, um empregado da área financeira de uma multinacional e o psiquiatra Luís Gamito são alguns dos actores. Até 4 de Dezembro no Santiago Alquimista, em Lisboa.

A peça, da autoria de Fernando Arrabal e com encenação de Adolfo Gutkin, fala sobre o cruel bombardeamento da cidade de Guernica, há 71 anos. Foi o primeiro sobre uma cidade aberta que ficou destruída, mas onde se manteve de pé a celebre árvore que simboliza a sua história e identidade.
PUBLICO.PT

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