Programa de Festas

Outubro 8, 2008

Conferência Internacional – O Fascínio de Ulisses

O Fascínio de Ulisses -Viagens Sem Fronteiras  – CONFERÊNCIA INTERNACIONAL

17 e 18 Outubro 2008 no Instituto Franco-Português – Rua Luis Bívar, 91, Lisboa

«Estais já embarcados»

Pascal, Pensamentos

«A metáfora da viagem é uma das mais poderosas para figurar e compreender a existência humana. Por isso se regressa a ela constantemente na história do ocidente. Da viagem de Gilgamesh em busca da vida eterna, passando pelos quarenta anos no deserto da veterotestamentária fuga dos hebreus do Egipto em direcção à Terra prometida, até à Viagem por antonomásia: a do astucioso Ulisses no regresso a Ítaca.

A odisseia homérica interessa-nos, neste contexto, pelo fascínio do encontro com o Outro. A cada paragem no desejado e atribulado regresso a casa (a si?), é o Diferente que encontra. E diante dele a sedução, o medo, a dificuldade de compreensão, o conflito, a alegria ou o espanto. Navegando entre mundos distintos, criando novas culturas: não diz a lenda que é Ulisses o fundador de Lisboa? Sobre ele escreveu Camões: “que se lá na Ásia Tróia insigne abrasa/cá na Europa Lisboa ingente funda.”

Mas a metáfora da navegação também transporta consigo a do naufrágio, possibilidade de todas as viagens/existências, que encontramos reflectida logo na aurora da filosofia. Conta Hegel sobre o fundador dos Estóicos, Senão de Chipre: «Zenão mudou-se para Atenas e, segundo a versão de alguns, sentiu-se movido para a filosofia pelo facto de ter perdido o seu pecúlio num naufrágio; o que não perdeu nele foi a cultivada nobreza do seu espírito nem o amor pelo conhecimento racional». O Naufrágio como o início da procura da sabedoria, da sua urgência, depois de todas as ilusórias seguranças se terem perdido.

Assim, neste tempo que é o nosso, Ulisses será para nós Ariadne: o novelo da sua viagem permitirá entrar e sair do labirinto da inter-culturalidade.

Interrogar a sua simplificada aceitação, o lugar-comum do politicamente correcto, reflectir sobre a possibilidade do diálogo, do encontro, da tolerância, do conflito ou choque de mundividências. Na arte, na educação, a arquitectura e urbanismo, na política, no pensamento, quais as consequências de um novo paradigma?

Para isso, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural, convidámos para um Colóquio em Lisboa, nos dias 17 e 18 de Outubro 2008, personalidades de diversas áreas artísticas e do saber, para nos apresentarem as suas reflexões e práticas em redor deste tema.

Este Colóquio, na sua organização, é já fruto do diálogo entre culturas. Não seria possível sem a colaboração do Institut Franco-Portugais e dos participantes provenientes de diferentes Continentes. Porque se a Paz surge como horizonte do possível, percebemos a necessidade de criar mais estruturas em que o diálogo trans-cultural seja fecundo. E vale a pena lembrar aqui as últimas palavras de Atena a Ulisses, no fim da Odisseia:

«Filho de Laertes, criado por Zeus,
Ulisses de mil ardis! Retém a mão e pára o conflito desta guerra, para que
contra ti não se encolerize Zeus, filho de Crono.»

[Paulo Pires do Vale_Comissário do Colóquio]

Mais informações, nomeadamente sobre o programa, consulte o site do Instituto Franco-Português

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