Programa de Festas

Agosto 17, 2008

FRANCIS OBIKWELU – O NOSSO – “Quem pensa ele que é para me pedir desculpas”?

Filed under: diversos — profestas @ 9:11 pm
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O

Programa de Festas presta aqui a sua homenagem e a sua admiração a um atleta português. Foram estas as palavaras que encontrámos.

“Ontem, estivesse eu ao pé, ele haveria de ouvir das boas. O tolo! Mas quem pensa ele que é, para ousar fazer o que fez? Virar-se para mim e dizer:”Peço desculpa!!!” frase inteira até é assim: Agradeço a todos porque estiveram a ver-me na televisão, e peço desculpa”. Eu estive a ver televisão e tomo a frase para mim: Francis Obikwelu pede-me desculpa!
(…) Oiça lá, meta as desculpas onde quiser. Eu não as admito, ouvíu?
Eu de si só que só quero que aceite o que tenho a agradecer.lhe. E depois, desbobino tudo.

Desde logo aquele dia de Atenas em que fiquei sentado no estádio muito mais tempo do que ele levou a fazer – a uma vintena de metros dos meus olhos – os seus 100 metros de prata. Varreu-se-me o rapaz que lhe ficou à frente e todos os outros.
Só ele contava, (…) mas dele sabia-lhe a história. Claro que o isco era ele ser do meu país, mas os iscos servem para fascinar, não para cativar. E eu, de Francis Obikwelu estou cativo. Toda a minha vida foi feita para admirar homens assim. Ele ia na volta de honra, com uma bandeirinha, e eu sentado, sem gritos, nem aplausos, com o silêncio que me dou quando pratico a minha religião.A minha religião são os homens.
Eu já vivi, de casa montada e cultura bebida, em três países, sou filho e neto de emigrantes, sei que as práticas mudam. E que ele há homens e que ele há homens e que os primeiros são os preferidos: os que fazem o seu lugar onde estão. O africano Francis Obikwelu veio para Portugal aos 16 anos ( o meu pai foi com um ano mais para Angola com um irmão mais novo, só os dois). Obikwelu trabalhou nas obras, e acarretando os sacos de cimento arranjou  estrutura muscular que o haveria de prejudicar nos arranques das corridas (ser pobre paga-se).

Para fazer aquilo que queria, chegou a dormir sob as bancadas do estádio dos Belenenses.

Aconteceu que Francis Obikwelu encontrou uma família portuguesa que lhe deu a mão e aconteceu que a essa família ele desse aquele sorriso com que brindou o Ninho de Pássaro, ontem, sem sabermos que era a sua derradeira corrida.
(…)
Sendo assim, porque digo que lhe estou agradecido? Porque são raros os que que, como Obikwelu, não pedem, trocam. Ou melhor, não são raros, fala-se de mais é dos outros.
Ontem, lamentando não ter dado o que os portugueses esperavam, Obikwelu disse: “Este é o meu trabalho e queria pelo menos dar uma final aos portugueses”.

Repararam na palavra? Trabalho?

É a palavra dos homens.

Obrigado, Obikwelu.”

Crónica de Ferreira Fernandes, hoje, dia 17 de Agosto, no Diário de Notíciasferreira.fernandes@dn.pt

Sem mais, e subscrevendo totalmente o que escreveu, só resta dizer também:

Obrigada, Ferreira Fernandes!

Diário de Notícias

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