Em 5 de Maio iniciou-se um ciclo de cinema que se prolonga até 9 de Maio, em sessões às 19h00 e 21h30, no Instituto Franco-Português – Ciclo Maio 68.
A entrada é livre, e o filmes legendados em português.
Nesta recta final, são convidados: Luís Miguel Oliveira, no dia 8, e Romain Goupil e Augusto M. Seabra no dia 9.
dia 8, 19:00
UN FILM COMME LES AUTRES
de Jean-Luc Godard, 1968. Duração: 100 min.
«Num terreno vazio, entre blocos de apartamentos suburbanos, um grupo de operários e de estudantes, sentados na relva e fumando como chaminés, tenta tirar, algumas semanas depois, as lições do que aconteceu durante Maio de 68 e, mais precisamente, do que não aconteceu na relação operários-estudantes durante aquela “revolução falhada”. O assunto do filme de Godard é, em primeiro lugar, a palavra viva deles, com todas as suas hesitações, impasses, avanços, recuos e ingenuidades, mas uma palavra que ainda não foi esmagada, como viria a sê-lo, pouco depois, por um discurso dominante. (…) Como contraponto, imagens de Maio de 68: batalhas de rua, a ocupação da Sorbonne, assembleias gerais, barricadas e cargas da polícia de choque. (…) O mais surpreendente, na relação entre estas duas séries de ! imagens, é que as de Maio de 68 parecem vir de uma época distante, que envelheceu terrivelmente, enquanto que as de Godard não estão muito longe de nos parecerem actuais.»
Alain Bergala, Cahiers du Cinéma.
dia 8, 21:30
Les amants réguliers
de Philippe Garrel, 2005. Duração: 178 min.
com Louis Garrel, Clotilde Hesme, Eric Rulliat, Julien Lucas, Nicolas Bridet, Mathieu Genet, Raïssa Mariotti, Caroline Deruas-Garrel, Rebecca Convenant
François tem 20 anos em Maio de 1968, tempo de revoltas estudantis em França. Os dias, as noites de Maio em Paris. Há cargas policiais sobre as barricadas construídas pelos jovens. É aí que pela primeira vez se cruza com a muito bela Lilie. Perseguição nos telhados, é encurralado, mas consegue escapar às malhas da polícia de choque. De manhã, sente que viveu uma guerra civil. François e os seus amigos estão no apartamento de Antoine, rapaz burguês muito rico, herdeiro de um pai que morreu muito novo. François escreve, é um poeta não publicado, com os seus amigos, artistas e estudantes. São uma dezena, têm entre 20 e 25 anos: fumar haxixe, a descoberta do ópio, mudar de vida, as festas, as miúdas… Lilie reaparece uma noite. O desejo de revolução é forte. Mais forte ainda o amor que vai nascer entre ! François e Lilie. Maio de 68 – o ano de 69 – Paris, a Europa, a juventude, tentações e perigos, tudo se mexe muito, ou demasiado rápido. A vida de um grupo – o seu fim – a revolução que se apaga… E o primeiro grande amor a morrer…
Vencedor do Leão de Prata – Prémio Melhor Realizador no Festival de Veneza em 2005.
dia 9, 19:00
LE DROIT À LA PAROLE
de Michel Andrieu, 1978. Duração: 52 min.
O documentário de Michel Andrieu mostra como o diálogo directo entre os estudantes e os operários durante Maio de 1968 remeteu para segundo plano o papel tradicional dos partidos e dos sindicatos na luta política. Filmado entre as universidades e as fábricas em greve, mas montado uma década após os acontecimentos, Le droit à la parole é um documento excepcional sobre as novas formas de luta que marcaram o Maio de 68 e toda uma geração de militantes políticos.
dia 9, 21:30
MOURIR A TRENTE ANS
de Roumain Goupil, 1982. Duração: 95 min.
com Roumain Goupil, Michel Recanati, Alain Bureau, Jacques Kébadian, Maurice Najman, Henri Weber
Em 1978, o suicídio do seu amigo Michel Recanati levou o realizador Romain Goupil a interrogar o passado comum de ambos como militantes de extrema-esquerda. Dos tempos do liceu à rejeição do partido comunista e das barricadas de Maio de 68 ao exílio no estrangeiro, Mourir à trente ans é não só o retrato íntimo de um amigo próximo, mas também um retrato geracional e uma reflexão sobre uma certa forma de fazer e de viver a luta política. Montando imagens rodadas durante um longo período de tempo, o filme de Goupil permite compreender, a partir do seu interior, quinze anos cruciais da história da esquerda francesa, antes e depois de Maio de 1968.
Mourir à trente ansconquistou o prémio Caméra d’Or para a melhor primeira obra no Festival de Cannes em 1982.
Site: IFP