
Fernando Tordo completa, em 2008, 43 anos de actividade ininterrupta.
Para assinalar o facto foi preparada uma digressão nacional com grande orquestra.
Fernando Tordo & Stardust Orchestra apresentam num poderoso concerto as músicas de uma vida numa vida cheia de músicas. O Fernando vai estar muito bem acompanhado: uma fantástica orquestra de 24 músicos, sob a direcção artística do maestro Pedro Duarte.
“Lisboa de Feira”, “Tourada”, “Adeus Tristeza”, “Só Ficou o Amor por Ti”, são alguns dos muitos temas que irão desfilar, acompanhados quer pela doçura e subtileza da secção de cordas da orquestra (violinos, violas de arco e violoncelos), quer pela energia da secção de metais.
Considerado um dos mais notáveis cantores da música ligeira portuguesa ainda em actividade, afirmou-se desde cedo pela riqueza poética e musical de um reportório constituído por temas assinados não apenas pelo próprio, mas também por alguns dos mais significativos autores e compositores, designadamente Ary dos Santos, Manuel da Fonseca, Natália Correia ou Sophia de Mello Breyner.
Embora tenha integrado, a partir de 1967, a formação dos “Sheiks”, foi com as participações e vitórias no Festival RTP da Canção – “Cantiga” (1969) e “Cavalo à Solta” (1971) – que Fernando Tordo concentrou as atenções do público e das editoras, tendo lançado “Tocata”, o seu álbum de estreia em 1972.
O reconhecimento prossegue em 1974 com mais a vitória do tema “Tourada” no Festival RTP da Canção e com o “Prémio Casa da Imprensa”, distinção que se repete três anos mais tarde.
Após uma longa e cúmplice parceria com José Carlos Ary dos Santos, cujo final ficou assinalado com a edição de “Cantigas Cruzadas”, Fernando Tordo assume integralmente, em 1981, a autoria, composição e interpretação dos temas desde então lançados.
A par do percurso musical que se notabilizou em momentos como a edição de “Adeus Tristeza”, distinguido com o prémio para “Melhor LP de Música Ligeira”, do disco de homenagem “O Menino Ary dos Santos” (1988) ou do álbum “Tributo a Los Laureados Nobel” (2006), trabalho considerado por José Saramago como «ponto alto da inspiração numa carreira tão extensa», Fernando Tordo destacou-se ainda nos projectos televisivos “Só Nós Três”, com Carlos Mendes e Paulo de Carvalho e “Falas Tu ou Falo Eu”, com Carlos Mendes.
Comendador da Ordem de Mérito, título atribuído em 2006 pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, e distinguido, um anos depois, com a Medalha de Prata da Cidade de Lisboa, Fernando Tordo é também responsável pela autoria dos livros “Fantásticas, Fingidas e Mentirosas” (2003) e “Quando Não Souberes, Copia” (2007).
(Fonte: Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Braga)
No Theatro Circo, em Braga – maiores 12 - SÁB 04 OUT – 21,30h
Sala Principal - 20 / 15 eur.
Theatro Circo – Braga
Recorda-se aqui o “Adeus tristeza”, o primeiro álbum de Fernando Tordo após a morte do Zé Carlos Ary dos Santos, e que em 1983 foi considerado o melhor LP de música ligeira do ano.
Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano
A entrevista que era boa
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Adeus tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada pra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar
Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé pra começar
Com muita força no refrão que é popular
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor mas sou verdade
Não ando cá para sofrer mas para viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser
Os que se lembram da canção, terão boas memórias.
E quem não a conhece, que oiça. Vale a pena.