
É de assinalar a grande exposição sobre José Saramago no Palácio da Ajuda, em Lisboa.
A exposição «José Saramago: a consistência dos sonhos», com centenas de documentos, fotografias, pinturas e notas pessoais do Nobel da Literatura vai ser inaugurada no dia 23 de Abril, no Palácio da Ajuda, com a presença do escritor.
Organizada pela Fundação César Manrique, a exposição esteve patente em Lanzarote (Canárias), comissariada por Fernando Gómez Aguilera, e «foi possível ampliá-la com mais documentos e pinturas inspiradas na obra de José Saramago», disse à Agência Lusa o director da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), Jorge Couto.
Com o Instituto Português de Museus (IMC), principal organizador, a BNP é co-organizadora da exposição também com a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB), entidades tuteladas pelo Ministério da Cultura.
Obras inéditas, manuscritos, notas pessoais, primeiras edições, traduções, fotografias, vídeos e gravações originais que estiveram na exposição de Lanzarote, onde o escritor, de 85 anos, reside com a mulher, Pilar del Rio, poderão ser vistas pelo público em Lisboa.
Informação daqui
E como Saramago também escreve poesia, terminamos com este seu pequeno/grande poema:
Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d’água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.
PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)



